quarta-feira, 31 de maio de 2017

Formas de apropriação do espaço


        Dentre as mais diversas formas de apropriação do espaço, vale destacar alguma delas:

Parkour: o parkour é uma prática que explora novos tipos de relação com o espaço a partir do corpo. é de certa forma transgressor de uma etiqueta social estabelecida para aquele local, por exemplo: socialmente bancos da praça são vistos de maneira monofuncional com um único objetivo: sentar. Já para os praticantes do parkour um banco pode ser um ponto de apoio para um mortal, um obstáculo para pular, etc. outras funções que não são usualmente exploradas.

Deriva: a deriva, diferentemente do parkour, possui uma posição submissa aos comandos do lugar, ou seja, as relações estabelecidas com o espaço se dão de acordo com o caminho que este conduz. Para isso, o indivíduo deve ausentar-se de opiniões e apenas deixar ser conduzido como se estivesse realmente à deriva, estabelecendo no máximo limites para esse movimento.

Flaneur: flaneur é um termo francês que faz referência ao explorar urbano, ao "vadiar". Dessa forma, "flanar" seria a ação de passear pela cidade despreocupadamente, observando seus elementos e como estes se organizam entre si nesse cenário.

Rolezinhos: os rolezinhos despontaram em 2014 e desde seu início foi um tema muito polêmico. Essa forma de apropriação consiste no encontro simultâneo de centenas de pessoas, geralmente organizados por meio das redes sociais, que passam a "conquistar", ou pelo menos essa é a ideia, novos espaços antes não visitados. Nesse sentido, os rolezeiros usam da força de uma massa para esse objetivo, já que individualmente seriam facilmente barrados pela sua condição social mais baixa. A grande polêmica consiste nessa apropriação do espaço por pessoas que socialmente não são designadas para ele, deixando donos de shoppings e empresários insatisfeitos.

Flash mob: similar aos rolezinhos, os flash mob também são encontros de uma grande massa geralmente organizado por meio da internet, mas que diferencialmente têm uma atividade já programada tal como manifestações, danças ou qualquer outra forma de expressão social.

Skateboarding:
a ocupação do espaço a partir do skate é muitas vezes criticada na sociedade urbana e por isso tratada com hostilidade, mas é mais uma forma de apropriação do espaço como as outras acima. Nesse tipo, a exploração do lugar é dada de uma maneira mais autônoma como no parkour, em que os locais e objetos não necessariamente são usados segundo regras impostas a eles.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Croquis Inhotim




Crítica ao meu objeto


 

 É interessante ressaltar no objeto como se utiliza da lógica finalística (a de descobrir o que há no interior do objeto) como principal mecanismo para desencadear uma ação programática, já que essa exploração pode se dar de várias maneiras (pela mão ou tentar observar por dentro ou enfiar o pé ou qualquer outra meio) que muito dificilmente vão se harmonizar de modo igual. Ainda sobre a interface, é interessante ressaltar que esta promove uma interatividade interativa entre 2, 3, 4 ou quantas pessoas quiserem interagir, abrindo ainda mais a gama de possibilidades de criação de novos eventos. O maior problema, porém, parece ser o caráter de certa forma proativo dessa interface, já que o canal de diálogo pessoa>objeto ainda não está muito claro.

Crítica às obras escolhidas pelo grupo

Lozano Hemmer
 1984

 Embora aparentemente programático, ao mostrar números aleatórios na tela retirados da internet, a ação do objeto 1984x1984 acaba se limitando a apenas uma funcionalidade, a de mostrar a silhueta da pessoa preenchida pelo numero 1984, o que pode acabar proporcionando um tipo de relação com o público predominantemente finalística. Além disso, a obra, um grande telão 6x3 com sensores de movimento, apesar de empregar o digital para ser virtual, acaba atraindo tanta atenção com as cores e sombras diferentes que o tipo de interação se restringe principalmente à esfera de pessoa-objeto, de maneira proativa, e deixa de explorar as possibilidades de interação entre o próprio público ali que acabam ficando só como potência e não como realidade.



Lygia Pape
Divisor

  Ao contrário da obra de Lozano Hemmer, Lygia explora de uma interface extremamente simples, sem uso do digital, e acaba conseguindo um tipo de interação muito mais significativa e dialógica que a proporcionada por 1984 de maneira totalmente programática. Isso ocorre, pois, o leque de possibilidades proporcionado por um pano branco com rasgos aleatórios é muito grande, sendo extremamente dificil atingir a mesma configuração duas vezes ao acaso. Além disso, a interação também se da de maneira muito mais ampla já que os participantes precisam negociar entre si a posição e o movimento do grupo e, já que esse evento acontece na maioria das vezes em espaços públicos, o público externo também acaba se envolvendo na obra ao observar.

Como tornar as pessoas mais responsáveis pelos espaços que habitam através de ambientes não apenas reativos?

         
         Acredito que ambientes interativos, tanto no campo da proatividade quanto no da dialógica, possuem a capacidade de criarem laços mais fortes entre as pessoas e o espaço quando em comparação com espacialidades apenas reativas. Isso ocorre especialmente já que a dependência pessoa-espaço é mais forte nesses dois primeiros tipos, que necessitam do público para realmente acontecer. Dessa forma, ao criar essa maior dependência, espaços não apenas reativos tendem por consequencia a terem uma influencia maior na vida do público, podendo gerar assim um maior sentimento de pertencimento e de responsabilidade nesses.