segunda-feira, 19 de junho de 2017
Moonlight: sob a luz do luar
Obviamente, não é sem motivos que "Moonlight" foi vencedor na categoria de melhor filme no Oscar de 2017 e diversos outros prêmios do cinema. Não só por tratar de temas extremamente importantes como homofobia, violência e consumo de drogas na periferia mas principalmente a forma como aborda esses temas de maneira inovadora. Um exemplo disso são os cortes feitos entre as cenas, que procuram prolongar o pensamento e o olhar a partir do momento que criam vazios de falas que abrem espaço para a reflexão do expectador durante o próprio decorrer do filme, e não somente no final como a maioria tende a fazer, gerando uma conexão maior entre público-trama. Além disso, uma outra inteligente estratégia que instiga o interesse são as subdivisões dentro do filme, que fazem referência às 3 fases de vida do personagem principal, Chiron. Isso ocorre, pois, a partir do momento que se compreende que os títulos fazem referência a uma nova fase, procura-se entender de antemão do que se tratará esse novo momento só pelo nome, criando novamente um maior envolvimento. Uma das principais críticas negativas ao filme, porém, é que, se de um lado, Moonlight procura no conceito e na estética seguir a lógica transgressora aos filmes tradicionais americanos, no final, acaba voltando para o lugar comum do reencontro de dois amantes, deixando de explorar a riqueza informalidade trabalhada ao longo do filme.
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